A infeliz mudança no trajeto da São Silvestre

Publicado: 08/09/2011 por Tiago Araújo em Bairro, Nosso Bairro, Cotidiano, Crônicas e Artigos, Esportes
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Na última quinta-feira, dia 1° de setembro, os apreciadores da corrida de rua receberam um duro golpe ao serem informados sobre a mudança no trajeto da corrida de São Silvestre. O percurso continuará tendo 15 quilômetros, porém, a chegada não será mais na avenida Paulista, mas sim em frente ao Obelisco do Ibirapuera.

Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o objetivo da mudança é evitar que os atletas se encontrem com o público que está indo para a festa do Réveillon da Paulista. Quem acompanha de longe, até pensa ”ah, legal, a chegada vai ser em frente ao parque do Ibirapuera, em meio ao verde, próximo da natureza! Que ótimo!”.

A situação não é bem essa, no entanto. A alteração no trajeto é mais uma da série de mudanças que vem descaracterizando a tradicional prova que, desde 1966, é realizada com chegada e largada na avenida Paulista. Vale lembrar que, na edição anterior, a organização da prova foi alvo de críticas pela medida polêmica de entregar antecipadamente as medalhas de participação.

Já pratiquei diversos esportes e realmente lamento por quem concorda que se deva receber uma medalha antes de efetuar sua participação numa competição. A organização está, novamente, desrespeitando nove décadas de tradição. Achava inimaginável visualizar uma chegada da São Silvestre fora da avenida Paulista e, infelizmente, neste ano, isso deve ocorrer.

Contudo, resta uma esperança, já que os organizadores ainda não confirmaram a mudança. Tudo bem, mudanças acontecem, mas são bem-vindas quando necessárias para a melhoria o evento. Não é o que ocorre neste caso. Conversando com corredores mais antigos, tive essa percepção que externo aqui.

Comecei a correr a pouco tempo, e sempre desejei participar da São Silvestre, que cresci vendo pela televisão, com saída e chegada na avenida Paulista. Ainda pretendo correr a São Silvestre, mas somente quando estiver melhor preparado. Entretanto, tendo contato com competidores que já vivenciaram diferentes fases da prova, compreendo essa revolta sentida por eles.

Até mesmo os competidores de elite, apesar de expressarem isso moderadamente, têm suas ressalvas com a alteração. “É um pouco chato trocar a chegada, porque o percurso era o mesmo há muitos anos e um pouco da tradição vai ser perdida”, disse o tricampeão da São Silvestre, Marílson Gomes do Santos, em entrevista ao site WebRun.

Outro fato negativo, que advém da alteração, é a possibilidade de um menor público presente para incentivar os atletas no final, já que as pessoas que chegavam com antecedência para a festa da virada também aproveitavam para torcer, tornando o evento ainda mais bonito. Além disso, era bem mais fácil para os competidores e público sair do evento utilizando as estações de metrô da Paulista.

Desabafo publicado, agora só me resta esperar para que este não seja mais um passo rumo à derrocada da tradicional corrida de São Silvestre.

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