Mudamos nosso endereço!!!

Publicado: 23/01/2016 por Cinthia Almeida em Cotidiano

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Olá leitor! Fizemos a mudança de URL do nosso Blog e para não perder a sua visita, fizemos esse post para informar o endereço da nossa nova “Home” =D …No novo blog colocamos 100% do conteúdo que consta neste, porém, aqui o última última postagem é do Bike Anjo, não vamos mais atualizar por aqui! Nosso novo endereço é: www.cotidianopaulistablog.wordpress.com ou basta clicar em: Blog Cotidiano Paulista

 

Aluna conversando com o Bike AnjoEu fui criada dentro de um pensamento bem conservador. Minha mãe é nordestina, nascida numa cidade do interior da Paraíba, e lá no Nordeste, a criação na época da minha mãe era bem machista, católica, conservadora. Eu nasci em São Paulo, na região central, no bairro da Bela Vista, mas isso não me poupou da herança dos valores dos meus avós.

Minha mãe tinha, e ainda tem, na mente a tal divisão de gênero: coisas de menino e coisas de menina. Isso me fez perder vários momentos que para muitos eram, são e serão tão naturais de uma menina fazer como: andar de patins, jogar bola, correr com os meninos e andar de bicicleta! Minha história com o Bike Anjo começa aqui!

Como não aprendi a andar de bicicleta na infância, depois de adulta ficou mais difícil. Além da falta de tempo com os inúmeros compromissos que a vida adulta nos traz, o medo de cair e se machucar é muito mais presente do que quando criança. Parece que na infância não existe o medo de cair e só a adrenalina de fazer coisas legais, aventuras radicais, se divertir! Brincar é o único objetivo.

Para aprender a andar de bike, eu tive que vencer o medo de cair e de me machucar, porque ficar de licença médica é quase um drama, já que, nos dias de hoje, não precisa muito para perder o emprego, imagine ficar afastada porque quebrou o braço andando de bicicleta.

Aprendendo a andar de bike com o Bike Anjo

Vencido o medo, decidi que iria aprender a andar de bike assim que eu tivesse uma oportunidade e conhecesse alguém que tivesse paciência comigo! Então, um dia eu estava assistindo TV, vi uma matéria sobre aprender a andar de bicicleta no programa Como Será? (2014) e guardei esse nome: Bike Anjo.

Os anos se passaram, a vida entrou num movimento tranquilo e então decidi que 2016 seria o ano para dar esse passo! Aqui em São Paulo, para quem não mora aqui na capital e não sabe, as ciclovias estão bombando! Você consegue ir para vários lugares de bicicleta, têm vários grupos de ciclistas que se reúnem seja para praticar como esporte, seja como lazer ou até mesmo como turismo pela cidade, a Avenida Paulista fica liberada aos domingos…ou seja, têm muita coisa acontecendo e eu sem aproveitar nada, como assim? Tinha que mudar isso, fui aprender a andar de bike!😀

Vou relatar meu passo a passo para você, leitor, ver como foi fácil vencer essa etapa tão importante para mim: Andar de bicicleta!…rsrsrs❤

Aluna Cinthia Almeida e Bike Anjo Antonio Sergio BrejaoPrimeira coisa que fiz, foi entrar no site do Bike Anjo, preenchi o cadastro super rápido e simples, coloquei no sistema os lugares onde eu poderia pedalar (todos próximos da minha casa) e fiquei aguardando um anjo. Não demorou muito, em 2 dias de aguardo, o Antônio Sérgio Brejão (Meu Bike Anjo) entrou em contato via site Bike Anjo e por lá combinamos o encontro. Me cadastrei dia 12/01… no dia 14/01 marquei minha aula para o dia 17/01 (domingo na Avenida Paulista).

Como será que foi o contato com o Bike Anjo e o primeiro dia de aula?

Raquel Gonzaga e Cinthia AlmeidaVou contar e mostrar tudo para você!!! Confesso que não dormi na véspera, até tentei, mas como sou ansiosa, não adiantou muito! Marcamos às 10h no MASP! Pedi para uma grande amiga me acompanhar, porque seria um dia muito especial para mim e gostaria que ela presenciasse e claro, me desse aquela força para eu não desistir! Raquel Gonzaga foi uma fofa!!!❤ Ela não só me apoiou, como registrou tudo!!! Como não amar alguém que não está na sua vida há 20 anos só por estar, mas que de fato vivencia uma história com você! #AmigaEspecial #AmorEterno

Eu comecei bem insegura, pra variar! A bicicleta, mesmo com o banco completamente baixo, não deixava eu colocar o pé no chão (sem virar a bike), então não consegui pegar confiança para dar as primeiras pedaladas sem o apoio do Anjo…rsrsrs

Tivemos que resolver esse problema com relação a altura do banco para eu conseguir colocar o pé no chão! Como a gente fez? Na Avenida Paulista, além da ciclovia, aos domingos tem a CicloSampa, mais conhecida como a ciclofaixa do Bradesco, que é uma das vias da avenida liberada para as bicicletas. A ciclofaixa chegou antes da ciclovia, mas tudo que é bom deve permanecer, ela continuou!😀 Ainda na Avenida, mais precisamente no final dela, existe a Praça do Ciclista, onde tem um posto de empréstimo de bicicleta! O Bradesco disponibiliza bicicletas para andar na ciclofaixa, basta deixar o RG no posto e por 1 hora você pode pedalar de graça! E não tem problema se quiser ficar mais tempo, basta fazer uma nova solicitação!😉

Resolvido o problema da bike, fomos treinar o equilíbrio! Será que consegui pedalar sozinha?

Ficamos na Praça do Ciclista, para não atrapalhar a galera na ciclofaixa e na ciclovia, e meu exercício inicial era ficar indo para lá e para cá, até pegar confiança, equilíbrio e noção de espaço! Parece chato quando se olha, mas para quem nunca nem subiu numa bike, andar para lá e para cá, foi algo transformador, libertador até! #Amei

O Bike Anjo quis aumentar o grau de dificuldade! Andar no meio da galera numa distância maior…rsrsrs Será que deu certo? Fiquei um pouco nervosa, porque ainda não sei fazer a curva, mas arriscamos e olha só o resultado!!!

Não tenho muito o que falar, as imagens dizem por si só! Estou muito feliz e foi, de fato, um dia inesquecível na minha vida! Assim que eu tiver mais aulas, vou colocar o link aqui no post para você lerem os outros post, ok? #Ansiosa #VaiDarCerto #JáCompreiCapaceteELuvas😉❤😀

Deixo aqui o registro que a câmera fez (ela bate foto sozinha quando detecta um sorriso na filmagem) quando eu dei um mega sorriso ao final da aula, com a sensação de estar nas nuvens, e melhor, pedalando aos 32 anos:

Sorriso depois da primeira aula com o Bike Anjo

Por Cinthia Almeida

 

Ginástica Rítmica

Publicado: 16/01/2016 por Cinthia Almeida em Modalidades

Ginastica RitmicaHistória

Ao contrário da ginástica artística, a ginástica rítmica é uma prática recente na história da humanidade, tendo sido criada no início do século 20 como um novo conceito, exclusivo para as mulheres. Inicialmente chamado de ginástica moderna, o esporte nasceu de uma combinação de técnicas de movimentos, terapia respiratória, terapia de relaxamento e dança, entre outros.

As primeiras décadas do século 20 serviram para desenvolver o novo esporte. Em 1952, foi fundada a Liga Internacional de Ginástica Moderna, cujo objetivo era disseminar a modalidade por meio de competições e demonstrações. Mas o movimento de divulgação já vinha ganhando força antes da fundação da liga. Ler sobre a história da Ginástica Rítmica

As provas

A modalidade tem seis competições:
– Exercícios em conjunto
– Corda
– Arco
– Bola
– Maças
– Cinta

Curiosidades

Só quatro nas Olimpíadas
Apesar de a ginástica rítmica contar com cinco materiais para as apresentações (corda, arco, bola, maças e cinta), apenas quatro podem ser escolhidos para a disputa das Olimpíadas. Nos Jogos de Londres-2012, por exemplo, não houve disputas de corda.

Fonte: Brasil 2016

Ginástica de Trampolim

Publicado: 15/01/2016 por Cinthia Almeida em Modalidades

Ginastica de TrampolimHistória

O uso de camas elásticas para execução de exercícios físicos foi transformado em esporte pelo norte-americano George Nissen, que baseou sua invenção na cama elástica usada em circos. Em 1936, George, que era ginasta, construiu um aparelho desmontável e, com ele, percorreu os Estados Unidos organizando torneios esportivos e aproveitando para vender sua invenção.

O que George jamais poderia imaginar era que, cerca de uma década depois, após a Segunda Guerra Mundial, sua invenção, aliada aos exercícios que proporcionava, seria amplamente usada com fins militares pelos exércitos norte-americano, soviético e francês. À época, os exercícios em camas elásticas eram usados para o treinamento de paraquedistas, pilotos de avião e até mesmo astronautas. O aparelho permitia preparar os militares para os loopings que poderiam ocorrer em aviões ou em casos de quedas de aeronaves. O uso das camas elásticas com esse fim continuou por muitos anos e só foi abandonado na década de 1980, com a introdução de simuladores.

Continuar lendo sobre a história da Ginástica de Trampolim

Curiosidades

De meias?
Os atletas da ginástica de trampolim não podem competir descalços. Durante as apresentações, eles devem usar meias ou sapatilhas de ginástica.

infografico ginastica de trampolim

Fonte: Brasil 2016

Ginástica Artística

Publicado: 15/01/2016 por Daniele Santos em Modalidades

Ginastica ArtisticaHistória

A prática de movimentos semelhantes aos realizados hoje na ginástica artística conta com relatos no Egito Antigo. Mas os historiadores apontam a Grécia como o berço da ginástica. A busca pelo corpo perfeito para praticar esportes e para aperfeiçoar o desempenho militar estão na gênese da modalidade.

Durante a Idade Média, após o declínio do Império Romano, o culto ao corpo perdeu força e a ginástica viveu um período de ostracismo, ficando restrita praticamente aos acrobatas. O resgate só se deu no início do século 19, quando, em 1811, o alemão Friedrich Ludwig Christoph Jahn fundou a primeira escola para a prática de ginástica ao ar livre.

Continuar lendo sobre a história da Ginástica Artística

As provas

A ginástica artística engloba várias provas, no masculino e no feminino. São elas:

Masculino
– Solo
– Cavalo com alças
– Argolas
– Salto sobre o cavalo
– Barras paralelas
– Barra fixa

Feminino
– Solo
– Salto sobre o cavalo
– Barras assimétricas
– Trave

Curiosidades

Tradição olímpica
A ginástica é um dos quatro esportes disputados desde a primeira edição das Olimpíadas da Era Moderna, em 1896, em Atenas. Os outros são atletismo, esgrima e natação.

Continuar lendo sobre curiosidades da Ginástica Artística

infografico ginastica artistica

Fonte: Brasil 2016

Animação O Pequeno Príncipe abre o Anima Mundi 2015

Publicado: 18/07/2015 por Cinthia Almeida em Cinema/Filmes, Cultura

O Anima Mundi de 2015 começou de forma muito especial! Vou pedir licença para os leitores que são amantes da animação como um todo, das mais diversas técnicas e cores, mas, como fã do Pequeno Príncipe, eu vou falar muito mais da animação que marcou a estreia do Anima Mundi 2015, do que do evento em si. Para saber a programação completa: Anima Mundi 2015

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TEXTO DE UMA JORNALISTA

O Anima Mundi 2015, que acontece entre os dias 17 a 22/07 na cidade de São Paulo, teve seu primeiro dia de exibições marcada por uma estreia muito especial! Foi na Cinemateca Brasileira com a exibição da animação O Pequeno Príncipe. Além da exibição do filme, antes teve o encontro com o diretor Mark Osborne, que contou para o público como conheceu o Pequeno Príncipe, como o livro fez parte da sua vida, que aqui no Brasil foi a primeira vez via o título em português, e como foi recusar e aceitar o desafio de fazer uma animação que seria de uma responsabilidade enorme.

Mark contou que o encontro com a obra O Pequeno Príncipe se deu por meio de uma grande amiga que fez na escola de animação. Eles começaram a namorar, e em um determinado momento da vida dele, houve um convite para estudar longe e quando se viu no dilema em aceitar e ter que deixar a namorada, ele se surpreendeu com o apoio dela que lhe escreveu uma carta que terminava com uma citação clássica do livro: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”.

Então, ele seguiu seu destino e continuaram o romance, só que a distância, e como ela tinha dado o exemplar pessoal dela para ele levar na viagem, ele disse que, mesmo longe, ela estava sempre perto porque ele a via com os olhos do coração. E assim, o Pequeno Príncipe passa a ser uma lembrança na vida do casal, porque marcou o amor, que gerou dois frutos e passou a ser o livro favorito de Mark.

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Quando ele recebeu o convite para fazer a animação, ele já era um profissional reconhecido no área, fez o filme Kung Fu Panda, mas, mesmo com toda a sua bagagem na animação, um convite desse nível o fez balançar: “Wow! Como vou fazer uma animação sobre uma história que marcou a vida de tantas pessoas, que tem uma interpretação pessoal na vida de cada pessoa, inclusive na minha?”, Uma coisa era fato, seria um desafio, ele aceitou e determinou: “Farei uma história em torno da história, assim ela ficará preservada.

Convite aceito e direção tomada, o próximo dilema era: Como contar? Então Mark decidiu que iria usar as relações humanas para demonstrar todas as lições contidas no livro, afinal de contas, é sobre isso que a obra fala: cativar, criar laços, dizer adeus…

Como ele tem um envolvimento pessoal com a obra, ele usou a relação que tem com a filha e a admiração pessoal por um mestre da animação para criar a história central. Na versão original, o filho de Mark dá voz ao Pequeno Príncipe, já a versão em português, os atores Larissa Manoela e Marcos Caruso, dão vozes aos personagens: a Menina e do Aviador, respectivamente. Eles também foram convidados para a estreia e falaram sobre o convite para dublar um clássico.

Larissa: “Fico muito honrada em fazer parte de uma história que faz história até hoje e marcou a vida de tantas pessoas, como a minha, é muito gratificante!

Marcos: “Eu li a obra há 50 anos e queria dar de presente para os meus netos, mas eles estão pequenos ainda, não sabem ler. Então veio a vida e trouxe o filme, agora eles vão poder ouvir o avô contando a história, o que para mim, se torna mais especial ainda a participação!” *A estreia nos cinemas está marcada para o dia 20 de agosto de 2015*

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TEXTO DE FÃ INCONDICIONAL 

Ir numa estreia já é algo top, agora, ir na estreia de um clássico no qual sou fã e colecionadora de tudo que envolva o personagem, é algo mais que top, é transcendental! Não consigo mensurar a emoção, a expectativa de poder ver antes do Brasil todo, de encontrar o Pequeno Príncipe, que sim, vive em mim, vive em você, vive no universo!

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Coleção pessoal de Cinthia Almeida

Falar que foi sensacional é óbvio, né? Mas meuuu (sou paulistana)… foi sensacional! Ter a oportunidade de conhecer o criador da animação, saber da relação dele com a obra, ouvir que ele recusou por saber que era uma obra particular, que cada pessoa tem uma relação íntima com o menininho, só um fã pra entender isso e logo de cara sentir o peso e recusar!

Ainda bem que foi só o susto do convide! Ele aceitou e mais uma vez mostrou que é admirador e respeita a essência da história, ele sabia que teria que encontrar uma forma de contar, mas sem mexer em nada, em nenhuma vírgula, pois a história começa e termina como Antoine de Saint-Exupéry fez. Com certeza ele viu a falha gritante no trailer oficial que foi divulgado, onde o Pequeno Príncipe pede para que o aviador desenhe uma ovelha! :O Como assim? Mas calma, no filme está tudo certinho: Desenha-me um carneiro! #Ufa! A saída genial que ele teve para manter a pureza, a essência, diria até que, o sagrado, foi a melhor: contar uma história em volta da história!

TRAILER DO FILME NA VERSÃO EM PORTUGUÊS:

Eu já passei dos trinta (nasci em 83), e como sabemos, ou para quem não sabe eu vou falar, o livro O Pequeno Príncipe é um clássico não porque todo o mundo já leu, isso a gente deixa para os Best Sellers, ele é um livro mágico porque pode ser lido em qualquer fase da vida que terá sentido e te fará chorar.

A animação não deixou a magia de lado e, como eu disse, de forma genial juntou a vida cotidiana do século XXI (e o que fazemos de nossas crianças) e a história lúdica que nos faz refletir, e muito, sobre tantas coisas, inclusive, sobre nós mesmos.

Sériooooooo… eu amei! Não é coisa de fã (Ok, é bem coisa de fã)…mas não é só isso, sério! Eu chorei não porque, pela sei lá quantas vezes ouvi, li, vi a história, mas porque refleti a minha vida hoje (2015), me vi criança no meio de um bando de adultos estranhos e chorei, porque me senti sozinha, sem amigos, sem saída…Mas eu disse que o livro ou a história é mágica, né? Então, no final, chorei também, porque entendi que, caminhar de forma solitária, não é caminhar sozinha…é apenas caminhar em busca do algo que te preencha, fazendo amigos por onde passa e levando consigo muitas estrelas e risos!!! Filme mais que recomendável, é essencial, mas só se for visto com o coração!!❤

pequeno principe e a raposa

Por Cinthia Almeida

TABACARIA

Publicado: 26/06/2015 por Cinthia Almeida em Textos, Poemas e Poesias

Fernando Pessoa

Eis que sou apresentada ao texto: TABACARIA – Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas –
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno – não concebo bem o quê –
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.