Cotidiano Paulista

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O protesto da esquerda no 1º de maio

28 MaiamSun, 11 May 2008 00:26:48 +0000ço, 2008 · 1 Comentário

Por Éveli Rocha

Uma pequena multidão da esquerda radical se reuniu hoje (1º de maio) na Praça da Sé para protestar e reivindicar os direitos trabalhistas. O número de pessoas é tímido em comparação aos seis milhões esperados nos palcos da Força Sindical e da CUT.

Bandeiras encobrem a pequena multidão. Protestos acontecem também por meio de manifestações culturais, teatro e dança ao ar livre. Bonecos gigantes dançam no meio do povo. Há barulho com tambores, panelas e objetos diversos.

Os estudantes fazem sua parte e são um dos principais responsáveis pelo barulho. Com cornetas, tambores, trombones eles gritam e cantam seus hinos de protesto. Diego Siqueira, de 24 anos diz que participa de movimentos sociais desde os 16, quando ocupou a sede da Fuvest, exigindo isenção da taxa de inscrição do vestibular. “Somos uma minoria que quer se transformar em milhões na luta pela segurança, contra o desemprego, e a precarização do transporte coletivo oferecido ao trabalhador.”

É mais do que comemoração, aliás, não é comemoração. A cada um que se perguntasse “O que faz aqui”, a resposta parece que foi combinada: “Reivindicando melhores condições de trabalho”. Mas não era a única reivindicação, os ativistas gritavam pela redução da jornada sem redução do salário, 13º para todas as classes de trabalhadores e outras propostas.

Segundo André Ferrari, ex sindicalista, ex professor e hoje empenhado na luta de classes por causas comunistas, a ação não é uma festa, nem sorteio de carros e apartamentos, pois, não há o que se comemorar enquanto o trabalhador é explorado e se tem aproximadamente 10% da população nacional, aptos ao trabalho, desempregada. Ele afirma que o verdadeiro sentido combativo do primeiro de maio é mascarado pela burguesia com festas. “Não há o que comemorar quando se tem uma reforma trabalhista que tira os direitos dos trabalhadores.”

Ironicamente, um ato que visa defender os direitos dos trabalhadores, não estava lotado deles. O manifesto político teve como público praticamente os moradores de rua da Praça da Sé, visto que as demais pessoas participam de algum grupo ativista ou partido político.

Para André, os poucos presentes vale mais do que os seis milhões que estarão nos outros palcos, pois, são pessoas condutoras de ideais e participam ativamente em seus locais de trabalho e na sociedade. Ele vai mais longe e critica a CUT e a Força Sindical. “Alguns carros e apartamentos não resolverão os problemas da classe trabalhadora. Relativizo essas manifestações, pois, quem está lá não está apoiando esses sindicalistas, eles estão lá para ver seus artistas, estão se divertindo.”

Quando o palco móvel saiu pelas ruas do Centro da capital paulista, parecia que as pessoas se tornaram mais enérgicas. Os tambores soaram mais fortes, o desejo de mudança parecia evidente e sincero. Do palco, Zavalão, outro ativista de esquerda ainda mais radical criticou a CUT e a Força Sindical de tomarem champanhe e comemorarem o assalto ao bolso do trabalhador. Disse ainda que os objetivos dos radicais é a independência da classe trabalhadora, que pensa além do socialismo e caminha rumo ao comunismo.

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Mano Móka um exemplo de perseverança

28 AbramSat, 19 Apr 2008 09:29:44 +0000ço, 2008 · 4 Comentários

Quarta-feira, dia 02 de abril de 2008, mais um dia que termina com muito cansaço e prazer.
Estou na estação Tietê esperando o metrô, como faço todos os dias quando termina a aula na faculdade e vou para casa.
Alto-falante: “Estação Armênia!”. Abrem-se as portas e embarca um rapaz aparentemente com seus 30 anos, com um carrinho muito curioso.
Ele senta em um dos bancos e deixa a amostra algo que me chama atenção. Fico olhando com certa dificuldade em entender o que estava sendo exposto no carrinho.
O rapaz percebe que eu o observo e começa a olhar para o lado desconfiado, abaixa a cabeça, procura o meu olhar, e quando acha foge.
“Consegui!”. Com um pequeno esforço das vistas, eu consigo ver o que tinha no carrinho. Eram miniaturas de tênis em forma de chaveiro, e logo mais abaixo um mini cartaz dizendo: “Mano Móka – Artista de Rua”.  Fiquei olhando a forma criativa que aquele rapaz encontrou de expor seu trabalho. Ele fez um carrinho que, ao fechar, deixa como se fosse uma vitrine, seus chaveiros a mostra, para quem quiser olhar e apreciar.
Alto-falante: “Estação Paraíso!”. Ambos descemos nesta estação e muito curiosa, eu o abordei.
(Cinthia) – Olá! Meu nome é Cinthia, faço jornalismo, achei seu trabalho interessante!!! Você pode me dar um panfleto?
(Mano) – Sim claro!
(Cinthia) – Quanto custa?…Mano olha novamente para os lados, desconfiado!
(Mano) – Custa entre R$ 10,00 e R$ 15,00…Mas não posso te mostrar, pois se eu fizer isto, os guardas do metrô irão achar que estou comercializando aqui dentro e recolherão minha mercadoria.
Agora está explicado o porquê de tanta desconfiança.  Artista de rua e ambulantes nunca são vistos como cidadãos, mesmo em momentos cotidianos de suas vidas, tal como, pegar o metrô e ir para casa.
Meu contato foi muito rápido com Mano Móka, mas o suficiente para contar sua história.
Moisés Gomes, nascido em São Paulo - SP, mas criado em Salvador – BA, voltou para sua terra Natal a 5 anos,  com  um sonho de ser músico. Porém sem condições para seguir adiante.
Moisés enfrentou muitas dificuldades financeiras, e se viu obrigado a fazer alguma coisa extra para sobreviver. Sem apoio da família, ele chegou a morar vários dias nas ruas de São Paulo.
Andando pelo o bairro do Bom Retiro, sem rumo e sem planos, Moisés encontra no lixo um saco cheio de couro. Foi neste momento que ele percebeu que, através do couro, que foi jogado fora, ele poderia fazer vários tipos de artesanatos como, colares, pulseira, brincos entre outros.
Sua primeira criação foi um chinelo de dedo, o que despertou atenção de muita gente, de tal forma que, ele foi tomando gosto por esse mundo de miniaturas de calçados, e percebeu que, através do artesanato ele poderia transformar  sua vida, já que eu estava criando algo inédito. O otimismo tomou conta do seu ser e ele passou acreditar que tinha um talento, que até então, não tinha percebido.
Moisés foi aos poucos aperfeiçoando seu trabalho, até que um dia ele conheceu um ser de origem japonesa, que gostou dos seus chaveiros e o contratou para confeccionar uma quantia de quase mil unidades para a empresa ADIDAS. Seu trabalho foi reconhecido e remunerado, e através do dinheiro, Moisés conseguiu se reerguer e acreditar mais em sua capacidade, e saber que de coisas pequenas podem surgi muitas coisas grandes.
Hoje, Moisés vive da sua arte e pretende fazer um site para tornar mais acessível sua história, pois acredita ser um exemplo de coragem e persistência.
Mensagem de Moisés:
“- Porque o segredo da sabedoria é a humildade. Quanto mais
humildade para aprender mais conhecimento teremos para ensinar.”
Contatos de Moisés Gomes (Mano Móka)
E-mail: manomoka@empreendedoresdobem.com.br
Cel.: (11) 8521-4604

Por Cinthia Almeida

cynthias_1983@hotmail.com

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