Cotidiano Paulista

Entradas do Junho 2008

O outro lado do mundo que habita a Avenida Paulista

28 JunpmMon, 30 Jun 2008 23:22:19 +0000ço, 2008 · Não Há Comentários

Fundação Japão promove o intercâmbio entre a cultura brasileira e japonesa

Por Cinthia Almeida

Exposições, mostras de filmes e documentários, peças de teatro, apresentações musicais, feiras artesanais, museu, passeios e eventos, são características do lado cultural da Avenida Paulista, onde as oportunidades, em sua maioria gratuita, estão abertas a todos que estejam interessados. Entre elas, damos destaque a algo inusitado e diferente: a Biblioteca Fundação Japão, localizada no Condomínio Edifício Parque Paulista Cultural, nome sugestivo e convidativo, na Avenida Paulista, 37, endereço pertencente também a Casa das Rosas.

De propriedade da Fundação Japão, especializada em assuntos japoneses e ensino de língua japonesa, em julho de 1994 a biblioteca teve suas atividades iniciadas, e seu acervo reúne livros escritos em diversas línguas, dentre elas o japonês, português, inglês, francês; revistas e jornais japoneses e brasileiros; e materiais audiovisuais. Seu objetivo é torna a cultura japonesa acessível a todos. Seu público é bem diversificado: entre eles estão, todos brasileiros, descendentes ou não, que tenham interesse na língua e na cultura japonesa, e que não tem necessariamente conhecimento do idioma japonês; pesquisadores e pós-graduandos em assuntos japoneses, professores de língua japonesa; japoneses residentes no Brasil; executivos de multinacionais; e suas famílias e estudantes de intercâmbio.

Mesmo assim, é grande o número de pessoas que não têm conhecimento dessas informações.  Entrevistamos os funcionários do café ILPASTAIO, que fica dentro do condomínio, cuja as reações foram de surpresa, ao saberem que estavam diante da Fundação. Palavras de José Moura Tavares: “Eu não sei onde fica.” Depois que soube, “Nossa, estou surpreso! E é aberta ao púbico? Então vou fazer uma visita assim que eu tiver um folga. Fiquei feliz, pois sempre tive curiosidade em saber quais empresas fazem parte do edifício.” Silvia Ateles foi enfática ao dizer: “Eu não sei, não! Será que é na Liberdade?”

As pessoas que foram entrevistadas disseram que não sabiam onde ficava, mas suspeitavam que sua localidade ficasse no bairro da Liberdade, onde fica grande parte da colônia japonesa. Este foi o caso de Nicole Hofer, que passeava com uma amiga na Avenida Paulista: “Olha, eu não sei ao certo, mas, tenho quase certeza de que fica na Liberdade! Pois lá está o Centro Cultural do Japão, acertei?” Ao saber que, além de ter se enganado, ela estava diante da Fundação, ficou muito surpresa, porque não imaginava que a avenida possuísse uma biblioteca japonesa e aberta ao público.

Procurada por nós, Grace Nakata, bibliotecária da entidade, justifica a falta de divulgação da Biblioteca Fundação Japão devido a fato do espaço físico ser pequeno, não comportando um grande número de pessoas, e não poder oferecer horários de funcionamento alternativos, como nos finais de semana, pois o prédio é comercial, onde seu horário tem que ser respeitado. Porém, diz: “Vontade e tentativas de melhorias não faltaram, já que o objetivo é disseminar a cultura japonesa em todos os cantos do mundo, e aumentar nossas instalações a tornaria mais abrangente.”

A falta de conhecimento das pessoas que fazem parte do cotidiano desta grande, barulhenta e movimentada avenida, faz com que seu brilho e seu encanto de ser um “Centro Cultural” ao ar livre fiquem perdidos entre os seus arranha-céus.

 

Mais informações                            

Biblioteca Fundação Japão

Avenida Paulista, 37 2º andar – Jardins Telefone: 3288-4971 ramal 45 / Site: www.fjsp.org.br / E-mail: biblioteca@fjsp.org.br

Horário de funcionamento é de segunda a sexta das 10h às 20h.

 

Categorias: Bairro, Nosso Bairro
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Brincar de jogar bola ou jogar Futebol?

28 JunamFri, 27 Jun 2008 04:00:10 +0000ço, 2008 · 1 Comentário

Quando criança, eu, residente do interior paulista, praticamente morava nos ”campinhos” de futebol próximos.

Não importava se a pelada fosse na rua ou num terreno cheio de lama, a diversão era garantida.

Atribuo a habilidade de nossos craques devido justamente a isso; desde pequeninos enfrentamos de tudo para praticar o esporte amado: driblamos a guia, o muro, o poste, e é claro, o adversário, para concluir a jogada; desviamos da lama, do buraco, das pedras e das adversidades provocadas pelos nossos problemas sociais, em busca de apenas nos divertirmos ”jogando bola”. A insuperável técnica brasileira resulta bastante desses obstáculos; a malícia e habilidade das ruas não se adquire em gramados sintéticos e/ou perfeitos.

Não se passaram nem sequer dez anos da minha amada e feliz infância, e a realidade mudou bastante. Não vê se tantos e tantos craques de rua como antigamente. As escolinhas proliferam em todos os cantos. O futebol é encarado desde cedo como profissão. Esses garotos enfrentam rotinas semelhantes as dos jogadores profissionais prematuramente.

Não sei se isso é correto. Mas eu não acho. Prefiro a brincadeira ”jogar bola” ao esporte Futebol. Sou mais a infância despreocupada e feliz do que a desilusão que invade a vida de muitos desses garotos; infelizmente apenas uma pequena porcentagem se profissionalizará.

Resumindo: prefiro o futebol muleque e despreocupado, do que toda essa pressão que atinge a garotada desde cedo, que faz com quê o futebol de jovens promissores sucumba devido a cobrança por resultados rápidos.

Engraçado. Pareço um ”tiozão” falando isso. Mas de quinze anos para cá as coisas mudaram como nunca.

A tecnologia avança. As coisas evoluem e nós seremos cada vez mais nostálgicos. Agora entendo o saudosismo dos mais velhos!

Categorias: Esportes
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E agora, José? - Carlos Drummond de Andrade

28 JunamFri, 27 Jun 2008 00:21:42 +0000ço, 2008 · Não Há Comentários

Categorias: Poemas e Poesias
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A Solidariedade abraça Santana

28 JunamMon, 23 Jun 2008 02:27:35 +0000ço, 2008 · 1 Comentário

Distribuição de comida e roupas são gestos que melhoram o cotidiano dos moradores de rua

 

 

                                                                                            Por Cinthia Almeida

Sábado dia 07 de junho, o sol está presente no céu, a mãe limpa seu filho, roupas estendidas no varal, todos os bancos da praça estão ocupados por moradores que ali estão. Jogando conversa fora, observando as pessoas que estão dentro dos ônibus, que por sua vez, retribui com um olhar duro e frio. Os carros que passam apressados, que não percebem que estão entrando na “casa” de cidadãos que não são vistos pela sociedade. O cenário e moradia desses anônimos é a Praça Olavo Egídio, que fica no encontro da Av. Cruzeiro do Sul com a Rua Conselheiro Saraiva, em Santana

Na “varanda” da casa, que tem vista para a Estação Santana do metrô, está sentado um homem. Com uma camiseta laranja, calça batida de cor preta desbotada, mala na mão e o olhar perdido, é seu Wilson Guimarães, 64 anos, sendo 43 em São Paulo, veio Bahia com um sonho de trabalhar e vencer na vida. Constituiu família, teve filhos, porém, não tem contato com mais ninguém. Hoje, vai até a praça para receber a ajuda de estranhos. “Não acho legal fazer uma reportagem sobre nós aqui da praça”, diz Wilson, com um tom sério. “As pessoas passam, e acham que nós somos vagabundos, e que não temos vergonha na cara. Muitos de nós temos um motivo para estar aqui.” Faltando um pouco mais de um ano para se aposentar, Wilson vai todos os dias à praça, para receber a comida que é distribuída. “Acho muito legal a ajuda dessas pessoas, pois se não fossem elas, eu não teria o que comer. Venho porque não tenho dinheiro e não quero depender de ninguém,” finaliza.

O Expresso da Solidariedade é um projeto realizado pela Fundação Renascer em Cristo – Santana (Av. Ataliba Leonel, 1111), que tem como objetivo ir ao encontro de pessoas carentes, que têm a rua como seus lares, para levar assistência social. Todos os dias, no período da tarde, um grupo de freqüentadores da igreja, se reveza e faze o trajeto que parte da Praça Olavo Egídio e vai até a Estação Armênia do metrô. Por onde eles passam, os moradores de rua são contemplados com o gesto de solidariedade. Para isso, equipou 12 ônibus, que percorrem não só a região de Santana, mas também outros bairros da capital paulista, e da Grande São Paulo. Distribuindo aproximadamente 100 mil refeições por mês, além de roupas e cestas básicas às comunidades, os veículos do Expresso foram especialmente projetados para dar atendimento odontológico e médico, além da distribuição de comida e oferece apoio psicológico e ajuda para a reintegração social dessas pessoas.

A pastora Roseli, que é um das coordenadoras do projeto, diz que é um fruto do manifesto de solidariedade, um testemunho vivo: “Hoje eu vou e faço o que um dia a Igreja fez por mim, pois eu fui moradora de rua, e fiquei muitos anos na praça contando apenas com a ajuda dos pastores.”, relata.

         “Devolver a dignidade e o respeito humano, são coisas difíceis de serem feitas às pessoas que não sabem mais viver dentro da “sociedade”’, justifica Roseli, ao dizer que ainda encontra muitas pessoas que dividiram o chão com ela: “Hoje, chego à praça e pergunto para os meus conhecidos quando eles irão mudar de vida e se reerguer, e muitos falam que é duro ter que olhar para as pessoas que os rejeitam e mostrar que se dessem uma oportunidade, eles mudariam.” Ela completa, dizendo que é mais fácil viver na conveniência do papel de pedinte, do que encarar todo o preconceito que é gerado em torno dos moradores de rua.

Muitas dessas pessoas são anônimas para a sociedade, mas dentro de cada uma delas há uma história de vida. Muitos se deram bem e deixaram-se levar pelo deslumbramento que o dinheiro traz; outros nasceram pobres e encontram “segurança” nas ruas. “Doar comida vai muito além do gesto, é apenas um complemento”, diz Roseli, “pois, o conversar, o prestar atenção e o compreender, ainda são gestos essências e que fazem a diferença entre permanecer na miséria e sofrimento das ruas e mudar de vida e se sentir acolhido.”

Iniciativas como a da Igreja Renascer deve ser tida como exemplo para grandes empresas e instituições, que queiram colocar em prática sua responsabilidade, pois fazendo cada um a sua parte, o resultado será uma sociedade mais humana e preocupada com o próximo.

Fotos: Cinthia Almeida 

 

Categorias: Bairro, Nosso Bairro
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Panis Et Circenses - Marisa Monte

28 JunamSat, 21 Jun 2008 07:36:16 +0000ço, 2008 · Não Há Comentários

Esta música fala, de uma forma sutil, sobre a cegueira social. Indicação do nosso leitor Camilo Gomes (camilo.gomes@hotmail.com) que expressa sua reflexão sobre a letra: A canção vai além da juventude, do impulso que anseia por liberdade, grita , questiona, contempla o largo “berço esplêndido” das pessoas da “sala de jantar”.

Panis Et Circenses - Marisa Monte

Composição: Caetano Veloso / Gilberto Gil

Laiê! Laiê! Laiê! Laiê!
Laiê! Laiê! Laiê! Laiê
Bom! Bom! Bom
Uhuhuuuuu! Uhuhuuuuu!
Bom! Bom! Bom
Uhuhuuuuu! Uhuhuuuuu!…

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos
Sobre os mastros no ar
Soltei os tigres
E leões nos quintais
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer…

Mandei fazer
De puro aço luminoso punhal
Para matar o meu amor e matei
Às 5 horas na Avenida Central
Mas as pessoas da sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer..

Letra na íntegra Panis Et Circenses

Apresentação Marisa Monte 

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Nada Te Faltará - Ana Carolina

28 JunpmFri, 20 Jun 2008 22:24:42 +0000ço, 2008 · Não Há Comentários

Nesta música Ana Carolina aborda as “questões” que muitos alegam serem justificativas para a grandes guerras civis, que de certa forma se tornam mundias, já que dos dois lados exitem “aliados”. 

Nada Te Faltará - Ana Carolina

Composição: Ana Carolina e Antônio Villeroy

Pra onde vamos
As vans, carros e bicicletas?
Certezas avessas
Comércio de guerra
Legado de merda

Mais de um bilhão de chineses
Marchando sem deuses
E outros descalços
Fazendo sapatos
Pra nobres e ratos

Sobe do solo
A nuvem de óleo com cheiro
De enxofre queimado
Fudendo com os ares
E outras barbáries

Quero mudança total
Uma idéia genial
A ciência e o amor
A favor do futuro
Quero o claro no escuro

Peço paz aos filhos de abraão
Quero gandhi na melhor versão

E nada vai me faltar, e nada te faltará
E nada vai me faltar, e nada te faltará

Letra na íntegra Nada Te Faltará

Clip não oficial

 

Categorias: Muito além da música
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O que estamos comemorando?

28 JunpmWed, 04 Jun 2008 22:22:42 +0000ço, 2008 · 1 Comentário

 Crônica 

Dia 1º de maio, Zé Brasileiro acorda ansioso para aproveitar seu tão esperado dia de descanso. Trabalhador como todo bom brasileiro, trabalha de sol a sol para no fim perceber que sobrou mais “mês” no fim do salário, do que salário no fim do mês.

Mas hoje é especial, ele terá um show em sua homenagem. Será lembrado e ouvirá palavras de esperança e fé!

“Povo brasileiro, as coisas ainda não estão como planejávamos, mas em breve muita coisa mudará…” ouve Zé Brasileiro. “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas…” canta emocionado Zé Brasileiro. “É bailão, é rodeio, festa de peão também to no meio…” dança alegremente Zé Brasileiro.

“Obaaaa!!!” grita Zé Brasileiro ao ver que o momento mais esperado do show, enfim chegou.

- Agora eles irão reivindicar seus direitos como trabalhador Zé?!  

- Não! Chegou à hora do sorteio dos apartamentos, tenho fé em Deus de que agora eu vou realizar o sonho da casa própria!

A tarde chega ao fim, juntamente com o show que foi promovido pelos Líderes Sindicais, para “comemorarmos” o dia mundial do trabalhador. Mas, o que estamos comemorando mesmo? O que é o dia internacional do trabalhador?

- É apenas mais um dia de descanso, diz Zé Brasileiro.

- Será? Então nós comemoramos o “descanso merecido”. Ah! Já sei, comemoramos a união do povo que deixou de ficar em casa desfrutando o merecido e comemorado descanso, para compartilhar com o próximo e talvez quem sabe ganhar um apartamento ou um carro!

- É isso mesmo! Concorda Zé Brasileiro, que volta para casa de mãos vazias e o coração cheio de sonhos.

- Quem sabe no próximo ano! Enquanto isso eu vou trabalhar para juntar meu dinheirinho. Conforma-se Zé Brasileiro.

Meu caro Zé Brasileiro, para o seu espanto, não comemoramos nada no dia 1º de maio, você sabe a história que marca está data?

- Não! Diz Zé Brasileiro, surpreso e curioso.

- Então vamos lá, senta e ouve.

Em 1886, em Chicago, nos EUA, os operários se revoltam contra a jornada de trabalho de 16 horas por dia. No dia 1º de maio daquele ano deram início a uma grave pela redução da jornada, entre outras reivindicações, que paralisou totalmente o país.

Dezenas de operários morreram, centenas ficaram feridos. Seus líderes Persons, Engel, Spies e Fischer, foram presos, condenados e enforcados.

Em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris e em homenagem a essa luta da classe trabalhadora, o 1º de maio foi instituído como o Dia de Trabalhador.

Desde então, nesta data, os trabalhadores e seus líderes se reúnem para reivindicar melhorias no trabalho. Aqui no Brasil, o 1º de maio mais marcante foi no ano de 1968, cuja Ditadura Militar fazia a sua lei. Houve confronto na Praça da Sé, pois os militares queriam boicotar a manifestação.

Com o passar do tempo, a verdadeira razão do 1º de maio foi sendo esquecida, com a ajuda de nossos governantes e de “nossos líderes sindicais” (CUT e Força Sindical), o povo que deveria se reunir para protestar e agir como cidadãos, preferem ir a mega shows, pois lá as oportunidades são “mais próximas”, vem através de sorteio, a sorte é que dita as regras, já nas manifestações é mais trabalhoso, pois as pessoas que ali estão, são idealistas que lutam por algo que irá beneficiar uma classe que não tem vez para o governo.

Gritar, batucar, cantar, dançar e ouvir, só tem sentido e prazer, quando acompanhado deles vem à ilusão de que um dia as coisas irão funcionar. Pois quando se tem certeza à luta perde a razão e o conformismo toma conta do espírito dos brasileiros.

- É isso mesmo! Por que lutar, se já sabemos que as coisas não funcionam? Diz Zé Brasileiro deitado em sua cama, preparando-se para dormir o “sono dos justos”.

- Acorda Zé Brasileiro!!! Se já sabemos que as coisas não estão em seu lugar é sinal de que o povo está atento e quer uma solução.

Gritar, batucar, cantar, dançar e ouvir para reivindicar seus direitos e agir como cidadão.

- Você está me ouvindo Zé?! Zé?! Zé?!

 - zzzzzzzzz…