Dezenove de abril: Uma data para relembrar um povo que foi praticamente dizimado.
É incrível a simplicidade com a qual denominamos todos esses povos com apenas um nome: índio. Pergunte a um yanomami se ele se acha parecido com um tupi-guarani? Mas nós homens brancos(aliás nem sabemos nossa cor, mas pra quê saber?) deixamos tudo mais simples; apaches, tupis, astecas, incas, maias, sioux, navajos e etc, são todos um povo só :índios!
Como se os japoneses fossem iguais aos chineses(vá dizer isso a eles), brasileiros iguais aos argentinos e etc.
Pois é, mais um dia 19 de abril chega, e lá vai a TV mostrar a aldeia tal, com os índios tais, que mantém até hoje costumes tais. Ou então a aldeia nos ”cafundós”, onde os índios ”já” votam, estudam língua portuguesa e ainda recebem auxílio do governo. Que legal né?
As nossas crianças vão a escola, e voltam com peninhas na cabeça e as carinhas pintadas por um dia. Mas no dia seguinte, retornam aos super heróis americanos. O homem-aranha e o batman entre outros ”pokémons da vida” retomam seus postos de preferidos da garotada.
Toda ano a mesma coisa. Homenagem cá, homenagem lá.
Seria uma tentativa de aliviar um pouco a consciência? Sabendo a crueldade cometida pelos nossos antepassados e contemporâneos contra esse povo, estaríamos nós, apenas se solidarizando tardiamente com o irremediável: a provável extinção desse seres humanos de cultura primitiva.
Os índios estão fadados a desaparecer ou se misturar entre nós, abandonando sua cultura. Deixam como herança as palavras que utilizamos para batizar coisas e lugares, e a lembrança de que, bem antes dos judeus, outros povos sofreram genocídios, e nem por isso são tão lembrados.
Como se os índios remanescentes fossem capaz de preservar sua cultura por muito tempo. Como se isso bastasse para recuperar a honra e virtude de um povo que é o legítimo proprietário deste solo. Depois de praticamente exterminá-los, e se fixar em seus domínios, nós os homenageamos com uma simples data.
-”Parabéns índios”‘
Mas amanhã eu esqueço de tudo isso. Bom cara pálida que sou, pego um filme de”bang-bang”, no qual o mocinho exclama cheio de pose:
-Índio bom, é índio morto!
Por Tiago Araújo Pereira